Os dias se passam como se fossem anos... Letícia angustiada a todo o momento sem notícias do marido, afinal já havia se passado 6 meses de sua partida. Não consegue se concentrar aos afazeres diários. Ela se senta todos os dias na varanda ao entardecer, imaginando que o marido apareça entre o campo e a plantação no meio do sol que desce lentamente para dentro da terra. Mas nunca ele aparece, fazendo com que sua angústia aumente ainda mais.
Os empregados fiéis e amigos, percebem o que se passa com a patroa e ajudam-na com as obrigações necessárias para o bom andamento da fazenda. Com isso, ela demonstra sua imensa gratidão a todos.
Um dia Letícia estava, distraidamente, brincando com João Vitor, quando escuda um alvoroço entre os empregados externos. Pega João nos braços e vai para fora da casa e vê, como se fosse miragem, a alegria dos empregados com a volta do patrão, e seu amado. Corre ao seu encontro, com o filho adorado no colo... e o choro embargado na garganta sai como um alívio, quando em um abraço demorado e terno entre os três se inicia.
Já dentro da casa Miguel começa a contar a esposa o motivo que o fizera sair de lá e o por quê da sua demora.
Foram 5 dias de viagem, preocupante e exaustiva, pois fora apreensivo, sem saber o que iria encontrar. Lá chegando encontrou um senhor muito idoso, já se agonizando na cama. Esse senhor chamava-se José Inório e começou a contar à Miguel porque havia lhe chamado de tão longe.
“Eu e o João, fomos criados como irmãos, meu pai era dono de terras e ele era filho do melhor empregado de meu pai, o mais fiel e companheiro, e assim ficamos também. Havia na redondeza uma bela moça que era um encanto, uma doçura, uma preciosidade, mas de família muito pobre e necessitada. Eu e o João nos apaixonamos pela moça, mas meu pai não permitiu o namoro por ela ser pobre, conseqüentemente, o pai de João também não permitiu, pois ele queria que meu pai consentisse o casamento dele com uma das minhas irmãs. Eu, mesmo contra a vontade de meu pai, me relacionei com essa moça e vivemos momentos de puro amor e paixão, tudo escondido, pois éramos proibidos. O tempo foi passando... as coisas acontecendo... aparentemente tudo dentro das vontades de meu pai. Mas um dia essa moça ficou grávida, fiquei perdido... atônito..., sem saber o que fazer. Se assumisse a criança, meu pai me deserdaria e não teríamos como viver, e o pior disso tudo, é que eu havia me casado com uma outra moça de posses, que meu pai havia arranjado. O desespero desta moça era agonizante, o que faríamos?!? Não tive saída! Contei ao meu querido amigo o que estava acontecendo, chegamos juntos, os três, a uma solução. Meu amigo, que já era apaixonado por essa moça, se casaria com ela e assumiria a criança e eu passaria uma das fazendas aos dois para que começassem uma nova vida.”
- É meu rapaz – disse o velho – esse meu amigo João é o que você conhece como pai e essa moça a sua mãe!!!
Mesmo atordoado, Miguel escutava atentamente tudo que aquele senhor dizia. Era uma confusão em sua cabeça, o seu pai, não era o seu pai, e aquele estranho deitado na cama que o era. E mesmo na confusão de seus pensamentos, admirou ainda mais o homem que o criou. O amor terno e verdadeiro que sentia por sua mãe, fez com que ele o criasse como filho verdadeiro. E como havia te dado amor, carinho e atenção... Ao mesmo tempo sentiu um imenso desprezo por aquele homem deitado, que o rejeitou por dinheiro, posses, poder e aparência, rejeitou até o amor de sua vida e o amor que sua mãe sentia por ele.
E o velho continuou:
- Te chamei aqui, porque minha esposa, já falecida, não me deu herdeiro, vivi uma vida frustrante, sem amor, sem filhos, sem carinho. Descobri muito tarde que o dinheiro não compra tudo e que mais cedo ou mais tarde vamos embora dessa terra, para uma desconhecida e não levamos nada material daqui, somente levamos a sabedoria e a benfeitoria que fizemos aos outros. Te chamei aqui, meu filho, para te pedir perdão pelo que fiz e dizer que você está herdando tudo que tenho, muitas terras e poder. Aqui será como rei, assim como fui durante todos esses anos. Só peço que cultive tudo isso que herda com o mesmo carinho que tem com a pouca terra que já possui e se me permitir, gostaria de, apenas, dar uma lição que a guarde dentro do coração para sempre. Demorei muito para apreendê-la e descobri o quanto ela é valiosa.”Nunca, meu filho, mas nunca mesmo, permita que a ganância da terra, do poder e do dinheiro que está herdando agora, domine sua mente e seu coração, use-o para seu bem e de sua família, e seus próximos. Continue cultivando o amor e o carinho dentro de você. Não permita que se perca a melhor coisa que seu pai adotivo lhe ensinou, o dinheiro e o poder não são tudo...”. – e o velho fecha os olhos para sempre.
Com a morte do pai verdadeiro, Miguel assumiu toda a administração da fortuna e de todas as terras pertencentes ao pai. No inicio foi tratado como bastardo e tudo que os empregados, amigos da família e familiares pudessem fazer para atrapalhá-lo, fizeram. Suas ordens não eram acatadas e seu jeito meigo e amigo que cativava todos nas terras de onde vinha, ali era motivo de chacota e indiferença.
As fazendas estavam com muitos problemas, o que fez com que Miguel mudasse muito seu jeito de tratar aquelas pessoas, que infelizmente só obedeciam suas ordens com rispidez, arrogância e ameaças.
Foi um começo muito difícil para Miguel, pois tinha que ser um patrão da qual não estava acostumado. Para o bem de todos e da fazenda, suas ordens deviam ser cumpridas, e para que isso acontecesse teve que ter pulso firme e mostrar quem mandava ali. Teve que apreender a ser cruel, como todos daquele lugar estavam acostumados a serem tratados.
O tempo foi passando e Miguel começou a fazer parte daquele lugar, começou a ser como eles e o crescimento de sua fortuna e poder tomou conta de sua mente, fazendo valer a sua lei.
Letícia olhava o marido com repreensão, parece que o sentia longe, distante, como se aquele lugar não fosse mais dele, e o brilho de seus olhos não eram mais os mesmos, a forma que falava era rancorosa, brusca e sentida.
- Por que demorou tanto a voltar, Miguel?
- Ora Letícia – disse Miguel – agora sou dono daquilo tudo, tive que pôr ordem, pois a doença dele fez com que não cuidasse direito dos bens. Tive que trabalhar muito e ainda o trabalho não está acabado, tem muito por fazer e ainda conquistar.
Ela percebeu que havia um sentimento dentro do marido que não existia quando ele partiu. Até que disse:
- Por tudo que me disseste, sobre esse Senhor, ele te deu um ensinamento da qual você parece não ter recebido de coração..
- Ah! Não me venha com demagogia agora! Acha que um velhote que abandona o amor de sua vida com seu próprio filho na barriga, tem algo a ensinar a alguém? Quem é ele para me ensinar alguma coisa? Vivi até agora sem ele e não será meia dúzia de palavras que me amolecerá o coração.
- Acontece, Senhor meu marido, que você saiu daqui com o coração mole, sincero e amoroso, e voltou muito estranho. Sinceramente, não estou o reconhecendo!
- Você não percebe o quanto estamos ricos e poderosos agora? Temos que partir logo de volta, tenho muito por fazer lá, muitas negociações em andamento e não posso deixar nas mãos dos empregados, pois não confio mais em ninguém.
Subindo as escadas lentamente, com os pensamentos aéreos, Letícia sentiu que perdera a força e a união que tinha adquirido junto ao marido durante todos aqueles anos. Se perguntava o motivo que o fizera ficar tão estranho. Ele nem havia dado atenção ao filho. Não sabia o que dizer, nem o que pensar. Ele queria que ela e o filho partissem com ele para as novas terras, mas ela adorava aquele lugar, foi onde cresceu, apreendeu, amou e viveu até então. Não queria sair dali, apreendeu a lidar com a fazenda e os empregados eram leais e amigos. Tinha medo da terra nova que, segundo Miguel, não houve cultivo de fraternidade e amor, como era ali onde estavam.
Alguns dias se passaram e Miguel se demonstrando distante e distraído, não dormia direito à noite e estava sempre apreensivo, com certa arrogância e brutalidade com os empregados e até com ela mesma. Não existia mais conversa, brincadeira, risada e cumplicidade entre o casal. Os poucos diálogos que tinham, eram de discussão sobre o poder da casa, do dinheiro e da partida para as novas terras.
Nessas discussões, ficou decidido que Letícia e o filho não acompanhariam Miguel, pois como ela mesma havia intitulado, “estavas louco”, sem coerência do que estava fazendo de si, de sua vida e sua família. Letícia tentou, por diversas vezes, colocar ordem na cabeça do marido, que demonstrava, claramente, não estar bem de saúde mental, pois confundia coisas com facilidade e, às vezes, chegava a dizer coisas totalmente incoerentes com o dia-a-dia deles.
Miguel partiu no dia seguinte, e junto com ele partiu aquela felicidade que parecia ser tão eterna.
Os empregados fiéis e amigos, percebem o que se passa com a patroa e ajudam-na com as obrigações necessárias para o bom andamento da fazenda. Com isso, ela demonstra sua imensa gratidão a todos.
Um dia Letícia estava, distraidamente, brincando com João Vitor, quando escuda um alvoroço entre os empregados externos. Pega João nos braços e vai para fora da casa e vê, como se fosse miragem, a alegria dos empregados com a volta do patrão, e seu amado. Corre ao seu encontro, com o filho adorado no colo... e o choro embargado na garganta sai como um alívio, quando em um abraço demorado e terno entre os três se inicia.
Já dentro da casa Miguel começa a contar a esposa o motivo que o fizera sair de lá e o por quê da sua demora.
Foram 5 dias de viagem, preocupante e exaustiva, pois fora apreensivo, sem saber o que iria encontrar. Lá chegando encontrou um senhor muito idoso, já se agonizando na cama. Esse senhor chamava-se José Inório e começou a contar à Miguel porque havia lhe chamado de tão longe.
“Eu e o João, fomos criados como irmãos, meu pai era dono de terras e ele era filho do melhor empregado de meu pai, o mais fiel e companheiro, e assim ficamos também. Havia na redondeza uma bela moça que era um encanto, uma doçura, uma preciosidade, mas de família muito pobre e necessitada. Eu e o João nos apaixonamos pela moça, mas meu pai não permitiu o namoro por ela ser pobre, conseqüentemente, o pai de João também não permitiu, pois ele queria que meu pai consentisse o casamento dele com uma das minhas irmãs. Eu, mesmo contra a vontade de meu pai, me relacionei com essa moça e vivemos momentos de puro amor e paixão, tudo escondido, pois éramos proibidos. O tempo foi passando... as coisas acontecendo... aparentemente tudo dentro das vontades de meu pai. Mas um dia essa moça ficou grávida, fiquei perdido... atônito..., sem saber o que fazer. Se assumisse a criança, meu pai me deserdaria e não teríamos como viver, e o pior disso tudo, é que eu havia me casado com uma outra moça de posses, que meu pai havia arranjado. O desespero desta moça era agonizante, o que faríamos?!? Não tive saída! Contei ao meu querido amigo o que estava acontecendo, chegamos juntos, os três, a uma solução. Meu amigo, que já era apaixonado por essa moça, se casaria com ela e assumiria a criança e eu passaria uma das fazendas aos dois para que começassem uma nova vida.”
- É meu rapaz – disse o velho – esse meu amigo João é o que você conhece como pai e essa moça a sua mãe!!!
Mesmo atordoado, Miguel escutava atentamente tudo que aquele senhor dizia. Era uma confusão em sua cabeça, o seu pai, não era o seu pai, e aquele estranho deitado na cama que o era. E mesmo na confusão de seus pensamentos, admirou ainda mais o homem que o criou. O amor terno e verdadeiro que sentia por sua mãe, fez com que ele o criasse como filho verdadeiro. E como havia te dado amor, carinho e atenção... Ao mesmo tempo sentiu um imenso desprezo por aquele homem deitado, que o rejeitou por dinheiro, posses, poder e aparência, rejeitou até o amor de sua vida e o amor que sua mãe sentia por ele.
E o velho continuou:
- Te chamei aqui, porque minha esposa, já falecida, não me deu herdeiro, vivi uma vida frustrante, sem amor, sem filhos, sem carinho. Descobri muito tarde que o dinheiro não compra tudo e que mais cedo ou mais tarde vamos embora dessa terra, para uma desconhecida e não levamos nada material daqui, somente levamos a sabedoria e a benfeitoria que fizemos aos outros. Te chamei aqui, meu filho, para te pedir perdão pelo que fiz e dizer que você está herdando tudo que tenho, muitas terras e poder. Aqui será como rei, assim como fui durante todos esses anos. Só peço que cultive tudo isso que herda com o mesmo carinho que tem com a pouca terra que já possui e se me permitir, gostaria de, apenas, dar uma lição que a guarde dentro do coração para sempre. Demorei muito para apreendê-la e descobri o quanto ela é valiosa.”Nunca, meu filho, mas nunca mesmo, permita que a ganância da terra, do poder e do dinheiro que está herdando agora, domine sua mente e seu coração, use-o para seu bem e de sua família, e seus próximos. Continue cultivando o amor e o carinho dentro de você. Não permita que se perca a melhor coisa que seu pai adotivo lhe ensinou, o dinheiro e o poder não são tudo...”. – e o velho fecha os olhos para sempre.
Com a morte do pai verdadeiro, Miguel assumiu toda a administração da fortuna e de todas as terras pertencentes ao pai. No inicio foi tratado como bastardo e tudo que os empregados, amigos da família e familiares pudessem fazer para atrapalhá-lo, fizeram. Suas ordens não eram acatadas e seu jeito meigo e amigo que cativava todos nas terras de onde vinha, ali era motivo de chacota e indiferença.
As fazendas estavam com muitos problemas, o que fez com que Miguel mudasse muito seu jeito de tratar aquelas pessoas, que infelizmente só obedeciam suas ordens com rispidez, arrogância e ameaças.
Foi um começo muito difícil para Miguel, pois tinha que ser um patrão da qual não estava acostumado. Para o bem de todos e da fazenda, suas ordens deviam ser cumpridas, e para que isso acontecesse teve que ter pulso firme e mostrar quem mandava ali. Teve que apreender a ser cruel, como todos daquele lugar estavam acostumados a serem tratados.
O tempo foi passando e Miguel começou a fazer parte daquele lugar, começou a ser como eles e o crescimento de sua fortuna e poder tomou conta de sua mente, fazendo valer a sua lei.
Letícia olhava o marido com repreensão, parece que o sentia longe, distante, como se aquele lugar não fosse mais dele, e o brilho de seus olhos não eram mais os mesmos, a forma que falava era rancorosa, brusca e sentida.
- Por que demorou tanto a voltar, Miguel?
- Ora Letícia – disse Miguel – agora sou dono daquilo tudo, tive que pôr ordem, pois a doença dele fez com que não cuidasse direito dos bens. Tive que trabalhar muito e ainda o trabalho não está acabado, tem muito por fazer e ainda conquistar.
Ela percebeu que havia um sentimento dentro do marido que não existia quando ele partiu. Até que disse:
- Por tudo que me disseste, sobre esse Senhor, ele te deu um ensinamento da qual você parece não ter recebido de coração..
- Ah! Não me venha com demagogia agora! Acha que um velhote que abandona o amor de sua vida com seu próprio filho na barriga, tem algo a ensinar a alguém? Quem é ele para me ensinar alguma coisa? Vivi até agora sem ele e não será meia dúzia de palavras que me amolecerá o coração.
- Acontece, Senhor meu marido, que você saiu daqui com o coração mole, sincero e amoroso, e voltou muito estranho. Sinceramente, não estou o reconhecendo!
- Você não percebe o quanto estamos ricos e poderosos agora? Temos que partir logo de volta, tenho muito por fazer lá, muitas negociações em andamento e não posso deixar nas mãos dos empregados, pois não confio mais em ninguém.
Subindo as escadas lentamente, com os pensamentos aéreos, Letícia sentiu que perdera a força e a união que tinha adquirido junto ao marido durante todos aqueles anos. Se perguntava o motivo que o fizera ficar tão estranho. Ele nem havia dado atenção ao filho. Não sabia o que dizer, nem o que pensar. Ele queria que ela e o filho partissem com ele para as novas terras, mas ela adorava aquele lugar, foi onde cresceu, apreendeu, amou e viveu até então. Não queria sair dali, apreendeu a lidar com a fazenda e os empregados eram leais e amigos. Tinha medo da terra nova que, segundo Miguel, não houve cultivo de fraternidade e amor, como era ali onde estavam.
Alguns dias se passaram e Miguel se demonstrando distante e distraído, não dormia direito à noite e estava sempre apreensivo, com certa arrogância e brutalidade com os empregados e até com ela mesma. Não existia mais conversa, brincadeira, risada e cumplicidade entre o casal. Os poucos diálogos que tinham, eram de discussão sobre o poder da casa, do dinheiro e da partida para as novas terras.
Nessas discussões, ficou decidido que Letícia e o filho não acompanhariam Miguel, pois como ela mesma havia intitulado, “estavas louco”, sem coerência do que estava fazendo de si, de sua vida e sua família. Letícia tentou, por diversas vezes, colocar ordem na cabeça do marido, que demonstrava, claramente, não estar bem de saúde mental, pois confundia coisas com facilidade e, às vezes, chegava a dizer coisas totalmente incoerentes com o dia-a-dia deles.
Miguel partiu no dia seguinte, e junto com ele partiu aquela felicidade que parecia ser tão eterna.
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