quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Terra Insana - Capítulo I

(Meu primeiro Conto Trágico)








Capítulo I


Tudo estava calmo... uma típica noite de verão. O forte vento soprava balançando as copas das árvores, indicando a possível chegada de uma tempestade. As folhas secas no chão corriam pelo campo em pequenos roda-moinhos, e as plantações de milho mexiam-se rapidamente como se estivem dançando. As tempestades noturnas eram comuns nesta época do ano, por isso não abalou Miguel e Letícia que estavam sentados na varanda olhando o movimentar da noite e as nuvens que se formavam, escurecendo aquela noite clara.
Letícia, abraçada ao seu amado sentindo o cheiro forte da terra misturado ao suor do marido, que acabara de chegar da cidade com a venda completa da colheita daquele ano, contava à esposa os detalhes da negociação e os planos de crescimento para a fazenda.
O casamento fora arranjado pelos pais de ambos, que não sabiam da existência do amor entre Miguel e Letícia. Parecia que a felicidade era realmente para ser deles. Um completava o outro em corpo, alma e pensamento. O destino os uniu em amor e negócios, que era muito comum entre os fazendeiros da região casarem filhos para fortificar as negociações comerciais. Mas com esse jovem casal havia algo diferente, pois já havia a existência do amor forte e verdadeiro.
Com a morte dos pais de Letícia, Miguel assumiu a administração dos bens da família, pois ela era filha única. E a união de terras, amor, inteligência e trabalho de ambos, fez com que dobrassem o capital que os pais haviam deixado. Miguel cuidava das plantações, criação dos animais e dos empregados externos e Letícia, da casa, da criadagem interna e da administração geral da fazenda, com seus documentos e finanças. Tudo muito controlado e correto, como o pai havia ensinado.
O vento aumentou sua intensidade, fazendo com que o casal fosse para o interior da casa, pois o temporal realmente já estava se formando. Letícia solicitou que colocassem o jantar à mesa, e mesmo com a forte chuva, os trovões e relâmpagos que se faziam lá fora não interromperam o jantar e a alegria do casal com o planejamento do futuro, já que logo chegaria o bebê, tão aguardado e querido.
Após o jantar, sentados cada um em sua poltrona, Letícia lia seus livros de romance, enquanto Miguel lia as noticias no jornal, pois ficara fora muitos dias e precisava se atualizar. Ela sentiu o bebê mexer e agitada chamou o marido para perto, podendo assim, tocar e sentir. Foram muitas risadas, olhando o movimento que o bebê fazia na barriga da mãe. Idealizaram e sonhavam como seria a criança e tudo que iriam fazer juntos. Subiram para o quarto e adormeceram felizes como nunca.

Dois meses se passaram. E um dia Miguel estava na plantação verificando o cultivo, escutou um empregado da casa a gritar:
- Seu Miguel, Seu Miguel... corre... corre... Dona Letícia está com as dores, o bebê tá nascendo!!!
Miguel corre em direção da casa ordenando que alguém corresse para chamar Dona Olava, a parteira da fazenda vizinha, que havia feito o parto do próprio Miguel.
Nasce um menino, forte e saudável, o qual batizaram de João Vitor, homenageando o pai de Miguel, que se chamava João e o pai de Letícia, que se chamava Vitor.
Os anos se passaram e a cada dia a felicidade parecia que aumentava aos olhos de todos daquelas terras. O menino já com 5 anos, se tornara a luz da casa. Todos o adoram, o mimam e paparicam. O pai, todo orgulhoso anda com o menino pela fazenda e o coloca em experiências saudáveis, já cultivando o gosto e o saber pelas terras e animais. A mãe em cuidados diários, tenta transmitir ao garoto o gosto pelos livros e pela cultura.
Após a missa de domingo, o casal chega em casa e se depara com visitas desconhecidas, que se identificam como mensageiros de um grande proprietário de terras, amigo do pai de Miguel. O casal os recebe, sem saber o motivo de uma visita tão inesperada.
- Desculpe, Sr. Miguel, virmos assim sem avisá-los, mas o assunto é importante e urgente. Nosso patrão solicita imediatamente sua presença em suas terras, pois está muito doente e precisa falar-lhe pessoalmente, e a ordem que temos é sairmos daqui junto ao Senhor.
- Mas não o conheço! Meu pai nunca me disse nada deste amigo distante! Não posso largar toda a administração das minhas terras por um capricho de uma pessoa que não conheço!
- Peço que nos desculpe novamente Sr. Miguel! O que posso dizer somente é que se trata de algo muito importante e que, acredite em nós, o assunto é de seu interesse!
O casal solicita uma conversa particular e no escritório Miguel mostra a curiosidade estampada em saber o que poderia ser, e Letícia mesmo não querendo se afastar, percebe a perturbação do marido e o apóia, para que ele vá verificar do que se trata.
Os três partem imediatamente após o almoço. E Letícia sente uma dor forte no peito ao ver o marido se afastar, como se ele estivesse partindo para uma batalha sem fim, e talvez, sem volta.




(Continua...)

Um comentário:

  1. Ah, vc está de brincadeira ne??????
    Pode me contando o que ele foi fazer la!!!!
    deixa vc!...rs
    Bjos
    Fe Perencin

    ResponderExcluir